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Financiamento privado no ensino superior

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Claudia Amira, Diretora Executiva da ABCD – Associação Brasileira de Crédito Digital*

 

Em apenas três anos, praticamente dobrou o número de estudantes que optou pelo financiamento privado para fazer um curso universitário. A porcentagem saiu de 14,4% em 2014 para 28,3% em 2017. Nesse mesmo período, o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), programa do governo federal que financia a graduação em instituições superiores privadas, caiu mais de três vezes: de 21,3% para 5,7%. Os dados fazem parte do Mapa de Ensino Superior no Brasil, estudo lançado em 2019 pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior.

Há duas explicações principais para a ascensão do financiamento privado. A primeira é a diminuição considerável dos recursos disponibilizados pelo Fies. No período de crise econômica, incluindo uma recessão de dois anos (2015 e 2016), o governo foi obrigado a reduzir gastos em todas as áreas, ainda que, como sabemos, exista percentual mínimo definido pela Constituição Federal para o investimento em educação.

Ao mesmo tempo, as instituições financeiras, com destaque para as fintechs de crédito, passaram a ocupar esse espaço, com o apoio do próprio governo. É o caso do P-Fies, um braço do Fies voltado justamente para o financiamento privado. O empréstimo é feito junto a uma instituição financeira privada. Costuma ocorrer a seguinte situação: o aluno não aprovado no público pleiteia o financiamento no P-Fies.

No P-Fies ou fora dele, as fintechs de crédito se destacam porque oferecem condições atrativas. Oito em cada dez alunos não pagam juros. O juro zero para o aluno é possível porque a faculdade assume esse custo. A vantagem para ela é encher a sala de aula, ter mais alunos nos cursos. As fintechs atuam, portanto, nos dois polos – atraindo alunos e fechando parcerias com instituições privadas de todas as regiões do Brasil.

Outra vantagem é que o aluno pode espaçar o pagamento. Em um curso de quatro anos, por exemplo, ele pode pagar o valor equivalente em oito. Isso só é possível porque a fintech de crédito responsável pela operação faz o pagamento em quatro anos à faculdade. Há ainda a possibilidade de o aluno dividir o pagamento em duas etapas: parte durante o curso e o restante após a formação.

E tem mais: não há necessidade de conta bancária. Na prática, isso significa atingir os desbancarizados – 45 milhões de pessoas, de acordo com estudo realizado no ano passado pelo Instituto Locomotiva. Entre os jovens, o índice de desbancarização é ainda maior, já que muitos vivem com a família e não são independentes financeiramente.

Para obter o empréstimo, o aluno precisa de um fiador. Na realidade, essa palavra talvez não seja a mais adequada porque não há exigência sobre garantir o empréstimo com um bem – uma casa ou um carro, por exemplo. Trata-se apenas de contar com alguém de confiança que apoie o aluno na decisão de estudar. Por esse motivo, as fintechs de crédito dão o nome de garantidor.

Outro requisito é que a renda mínima somada do aluno e do garantidor seja duas vezes o valor da mensalidade, e nenhum dos dois pode ter qualquer tipo de restrição no nome. No financiamento privado, ao contrário do Fies, o aluno não precisa ter feito a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para contratar o empréstimo.

Todas as etapas da contratação, como preenchimento do cadastro e assinatura do contrato, são realizadas no ambiente online e por meio de ferramentas digitais. A análise de crédito do aluno e do garantidor é ágil e considera diversas variáveis – não apenas as tradicionais de mercado –, o que favorece o tomador de crédito.

Inclusão social

O financiamento estudantil tem enorme importância por representar uma ferramenta poderosa de inclusão social. Há cursos universitários cujos preços são inacessíveis para grande parte da população. Medicina e engenharia são dois deles.

Com juro zero e possibilidade de espaçar o pagamento, o aluno escolhe o curso considerando sua vocação, seus reais interesses, e não simplesmente aquele que cabe no seu bolso. Há quem faça o curso de matemática, por exemplo, em vez de engenharia, porque não tem condições de arcar com o segundo. Também é possível escolher uma faculdade privada de maior qualidade – e, portanto, mais cara –, resultando em uma melhor formação para a vida e o mercado de trabalho.

De acordo com uma das nossas associadas, o perfil mais comum de quem contrata o financiamento estudantil privado tem 24 anos de idade e já trabalha – 65% dos contratantes trabalham. Seis em cada dez são mulheres. E uma informação importante: geralmente, o contratante é o primeiro da família a fazer faculdade, o que demonstra a importância do financiamento privado para a inclusão social.

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