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Golpes financeiros pela internet

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Claudia Amira, Diretora Executiva da ABCD – Associação Brasileira de Crédito Digital*

 

Imagine a seguinte situação: você recebe uma mensagem pelo WhatsApp com uma oferta de empréstimo atrativa, como taxas de juros mais baixas ou valor pré-aprovado alto – fora de sua capacidade de pagamento. Para ter direito a ela, você deve fazer um depósito antecipado no mesmo dia e o mais rápido possível. Aparentemente, ao analisar o site e a própria conta do WhatsApp, tudo indica ser uma instituição financeira. O atendente é solícito e conduz a conversa por meio de áudios. Essas são algumas das características de um dos golpes financeiros em alta: o do WhatsApp.

Nos últimos dois anos, esse golpe cresceu quase 200%, de acordo com levantamento realizado pelo Reclame Aqui a pedido da fintech de crédito Noverde, que faz parte da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital). Os criminosos usam os nomes das fintechs, que vivem momento de ascensão no mercado financeiro, para enganar as vítimas. Mais do que usar os nomes, eles reproduzem aspectos como identidade visual. Sabendo disso, as fintechs estão usando seus canais de comunicação para alertar a sociedade. Um dos objetivos é conscientizar a população sobre essas práticas lesivas a fim de que as pessoas desconfiem sempre e, em caso de dúvida, não prossigam.

Outra pesquisa, que foi conduzida pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) em parceria com o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), revelou que 11% dos internautas brasileiros reconhecem que perderam dinheiro em falsas promessas de investimento. Foram entrevistadas 917 pessoas de todas as capitais do país. A principal motivação que levou esses entrevistados a aplicar seu dinheiro foi a alta taxa de rendimento prometida pelos golpistas.

Para não cair nessas ciladas, confira as sete dicas abaixo.

1)   Depósito antecipado

Uma empresa idônea jamais exigirá do consumidor depósito antecipado para liberar um empréstimo. Essa prática é ilegal e está sujeita inclusive à responsabilização criminal, podendo ser enquadrada no crime de estelionato – artigo 171 do Código Penal. Se você for vítima, a orientação é fazer um boletim de ocorrência o mais rápido possível.

2)   Exigência de fiador

Outra exigência ilegal. Na ânsia de obter o empréstimo, há quem pague fiador. Essa é, aliás, uma das características aproveitadas pelos criminosos: eles utilizam a fragilidade da pessoa, que costuma estar em dificuldades financeiras, para concretizar o golpe. Em qualquer modalidade de empréstimo, interessam apenas e tão somente as informações financeiras do tomador de crédito.

3)   Promessa de elevação da nota de crédito

Há quem prometa melhorar sua nota de crédito, também chamada de score. Isso não é possível. O score diz respeito ao histórico de pagamentos de cada pessoa física ou jurídica. Para chegar a ela, os birôs de crédito realizam um trabalho sério e reconhecido internacionalmente. Seu score só pode ser consultado/acessado por você nos sites dos birôs, não estando aberto a outros consumidores.

4)   Cópia ou reprodução do site

Os golpistas costumam simular sites de instituições financeiras para atrair pessoas interessadas em contratar crédito. Como os ambientes são parecidos, a vítima não percebe que se trata de um site fraudulento. A orientação é conferir o endereço eletrônico, analisando os links antes de clicar neles. O cadeado ou a expressão https, por exemplo, é importante. O S do https, assim como o cadeado, indica que o site é de fato confiável – de procedência segura.

5)   Conta do tipo pessoa física

No golpe do WhatsApp, as vítimas depositaram o valor exigido em contas bancárias pertencentes a pessoas físicas. Esse é um dos sinais de golpe. As instituições financeiras trabalham com contas do tipo pessoa jurídica. Elas jamais farão ou pedirão qualquer transação bancária via pessoa física.

6)   Links enviados por remetentes desconhecidos

Para invadir seu computador ou celular, os criminosos enviam links por e-mail, WhatsApp ou SMS. Os textos que acompanham esses links são tentadores. Alguns prometem prêmios. De novo: a regra é desconfiar sempre.

7)   Garantia de rentabilidade e/ou alta taxa de rendimento

Cuidado com as falsas promessas de investimento. A garantia de rentabilidade e a alta taxa de rendimento – ou ainda as duas combinadas – aparecem com frequência nos golpes. Uma forma de se proteger é verificar se quem faz a oferta é credenciado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que tem credibilidade por representar as instituições financeiras.

Você já foi vítima de algum golpe financeiro? Compartilhe conosco sua experiência. Acesse o LinkedIn da ABCD para conferir outros conteúdos.

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